Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

O radicalista mascarado.

Based on a true history
Titularia esta história como “Um assunto tenebroso” mas, por desgraça, Blazac se me adiantou um século e pico. Porém o assunto nom deixa de ser tenebroso por isso. Até um dos participantes na trama, o poeta Alberte Momán, dixo umha frase que augura um final ao jeito dos dramas shakespearianos: “A verdade é que temos umha facilidade para cheirar o sangue a léguas”. Esperemos que nom seja para tanto…
Este é um país pequeno, conhecemo-nos todos e, já que logo, também é um lugar propício para encontros indesejáveis. Estes encontros poderiam resolver-se com facilidade. Mas o aborrecimento, o pouco trabalho ou umha má palavra na altura mais inoportuna podem exagerar as desavenças até límites insuspeitados. Umha pobre frase extirpada do seu lindo contexto, umha genreira que se rega e medra, um certo senso do justo-injusto/bom-mau… som ingredientes dum mistério que desvelo hoje. Por isso devo falar sobre este caso embora dixem que nom o volveria fazer.
Quando em Novembro do ano 2004 decidimos que já avondava de deixar projectos no obscuro caixom das lucubrações e que cumpria agir no campo da literatura cum umha proposta concreta e conjunta; pugemo-nos a trabalhar entusiasmados no Radicalismo. O manifesto nom estava acavado em Dezembro, mas sempre tivem o curioso capricho de andar dous ou três passos por diante do presente; cousa que gente com um senso mais firme da prudência ou da disciplina me fam notar entre divertidos e perturbados. Assim, nom puidem aguardar o manifesto e abrim o blog no que publico estas linhas. Era igual, senom tinhamos umha producçom consistente ainda com a que encher o espaço que este novo meio nos fornecia, poriamos referências, influências e outras expressões da clâssica agit-prop universal. Com o que nom contavamos era com acordar iras tam cedo. A posta do já famoso colante “Kill Fraga” provocou umha afirmaçom feia de Santiago Jaureguizar, que de que nos conheceria para falar assim, pensava eu. O pior nom foi isso. Abaixo, nos comentários, volvia a expressar-se em termos ainda mais feios e nos comparava com o para-filólogo Alonso Montero, pessoa sobre a que tenho umha opiniom pouco positiva por questões que nom vêm ao caso. Isto provocou umha reacçom inmediata no meu organismo: os meus dedos começarom a amachucar furiosamente o teclado do computador parindo um texto duro e pouco respeitoso com o nosso singular contraditor. Este texto actuou como um resorte para amig@s do radicalismo e para pessoas que pareciam aguardar que umha janela se abrisse e assim deitar as suas legítimas diferenças sobre Jaureguizar. Velhos ódios (nom digo que injustificados) prenderom na discussom que se iniciava. Acho que todo o mundo conhece o desenvolvimento desta história. Ângelo e Jaureguizar parecem achegar-se a um “pacto de nom-agressom” no entanto as discussões prosiguem entre o último, Ramiro Vidal e Alberte Momán. Decido nom continuar com o assunto seguindo os conselhos dos companheiros. É justo nesta altura que Jaureguizar insinua umha mão preta trás do recital do Tangaranho: a do Radicalismo. Sobra dizer que meter Cáccamo ou Alicia Fernández no radicalismo e como introduzir a obra de Rosalia no naturalismo, a de Castelao no futurismo ou a do próprio Jaureguizar no noveau roman. Este desagradável comentário impele-me a intervir de novo aclarando que o recital nada tem a ver com nós e que a nossa presença lá reduzia-se à minha própria (como um dos poetas do cartaz) e, talvez, à de alguém mais como público. Entom Jaureguizar sincerá-se: o motivo dos seus comentários nom é umha discrepância ao redor do nosso trabalho (ainda escasso, quase inexistente); o motivo verdadeiro é que “alguém” dentro do reduzido grupo radicalista, ofendeu-no acochado tras dum “pseudónimo covarde”. E o que é mais importante: muito antes do colante Kill Fraga. As suas palavras nom deixam de ser enigmáticas: “(…) eu sei quen é e el poida que se lembre se fai memoria (…)¿De onde pensas que tirei unha ligazón á páxina dos radicalistas? O único que lamento é ter amolado aos radicalistas que non tiñan que ver con iso. De hoxe en dez días irrumpirei no recital para informar das cuestións que me requires”. Depois destas revelações a surpresa foi geral. Os radicalistas olhamo-nos, encolhimos os ombros e nos perguntamos: de que caralho está a falar meu? Muito antes de Kill Fraga? Se muito antes nem existia o Radicalismo! Perguntamo-nos aliás se alguém tinha ofendido, nalgum momento da sua vida, o pobre Jaureguizar. Os ombros volverom-se a encolher. Quem seria esse misterioso radicalista mascarado trás dum pseudónimo covarde que insulta Jaureguizar e tem umha ligaçom para o nosso blog? Entre conhecidos e, como havia que matar o aborrecimento, quitamos três teorias possíveis:
- Que a pesar de ter insistido demasiadas vezes em que Ramiro nom é radicalista, Jaureguizar decidisse manter esse qualificativo e ajustar contas sobre um assunto passado que ignoramos.
- Que alguém que gosta do radicalismo tenha insultado Jaureguizar e este, por umha discutível regla de três, o tenha adscrito ao nosso grupo
- Que o caso Jaureguizar seja, finalmente, um caso clínico...
Das três teorias, a primeira e a última fôrom mesturadas e tomadas como certas por algumhas pessoas. Porém eu resistia-me a umha soluçom tam simples. Tem que haver algo de verdade na afirmaçom de Jaureguizar, nom se vam dizendo cousas por aí tam alegremente. Assim que me metim no papel de detective, pronto para resolver o crime. Sem embargo, asinha decatei-me de que todo esforço era inútil. Nom havia ninguém que tivesse umha ligaçom da nossa página, que puidesse passar por radicalista e que se metesse com Jaureguizar. O começo da polémica estava aí, no colante Kill Fraga. Assim que abandonei a minha empresa e comecei a curiosear velhas notícias de Agal quando, de súpeto, apareceu a soluçom: havia um anuncio dumha palestra que ia ofercer Jaureguizar em Bruxelas (se nom lembro mal) e que tratava de literatura galega e portuguesa (“as siamesas separadas” seica). Lá, nos comentários, aparecia um tal peromaruga que recomendava um velho artigo de Santiago em A Nosa Terra para a excelente secçom de Statu quo, onde se penduram lindezas teóricas sobre o nosso maltratado vernáculo. Criticava o proselitismo de certos reintegracionistas que chegavam a incluir no club algumhas personagens conhecidas da literatura quando estas figerom poucos meritos para tal consideraçom (sic.). O mais ofensivo que se dizia lá sobre Jaureguizar é que se lhe chega a chamar “tipinho”, connotações negativas que emergem do texto e nom da própria qualificaçom. Além disso, peromaruga di nom acreditar neste “tipo de personagens”. Várias notícias mais adiante, o mesmo peromaruga anuncia o nascimento do nosso blog. Tudo encaixa à perfeiçom. É natural que Jaureguizar pense que é um radicalista. É, de facto. Mas duvido que Jaureguizar saiba exactamente quem é. O radicalista mascarado emprestava atençom à polémica e nom se decatava de que ele era o culpável. Ignorante do seu delicto, veu como o alvo se pousava no pobre Ramiro, quem nada tinha a ver com o assunto. Até que se decatou e entom sentiu a necessidade de falar, a pesar de que os seus companheiros lhe recomendarom que nom o figesse, que ignorasse a questom. A questom complicava-se e requeria a sua intervençom porque suspeitava que a resposabilidade sobre o que dixo recairia sobre outro e isso nom era justo.
Pois bem, desvela-se o mistério (por favor, ponham música de climax cinematográfico).
Peromaruga quita-se a mascara e aparece o rosto abraiado e mal-barbeado de… Ângelo Pineda! Nom o esperavam, heim? Normal, nem eu próprio o aguardava. Nom me lembrava do assunto, esquecim-no porque nom me parecia importante. Mas parece que ferim o coraçoncinho de Jaureguizar com aqueles comentários que estavam dirigidos aos reintegracionistas mais do que a ele próprio. E, nom obstante, a ideia que expressei parece-me muito razonável. Um grupo ou colectivo deve integrar gente conscienciada; quer dizer, deve conscienciar e depois integrar porque senom integra as contradicções que o prórprio indivíduo tem a priori com o colectivo. E isso convirte as assembleias num bonito cenário de crime e destruiçom. Ainda que quiçás o comentário sobre. Normalmente, chega-se a um colectivo por convencimento. No que respeita ao artigo, encantaria-me que Jaureguizar negar a sua existência e o atribuir a umha deformaçom da minha fantasia; porque se se dar o caso, buscarei-no por todos os arquivos do planeta e, em poucos dias, aparecerá no blog. Em quanto ao de “tipinho” e ao de que eu nom acredito em “personagens como esta” (intelectuais e escritores) reconheço que som palavras feias e que nom vinham a muito. Quiçás o puidem dizer doutro jeito mais educado e me desculpo (errare humanum est, ou algo assim). Sobre o de “covarde” por acochar-me tras dum pseudónimo… Enfim, sinto decepcionar Jaureguizar, mas ele nom é tam importante. O de peromaruga (o famoso conde de Souto Maior) é um nick que pugem ao fazer conta de usuário em Agal, muito antes de que a sua notícia aparecesse. Nom necessito pôr máscaras para falar de Jaureguizar. Agora estou-no a fazer sem elas.
A trama de esta história deu giro inesperado. Umha bala de palha cruza a rua de São José arrastrada polo vento e se escuita música de far west. Afectará isto à conversa cordial que se nos propunha? Nom sei com certeza, porque a um recital se vai, se acode, se entra. Irromper, irrompem os bárbaros na Roma, a polícia numha ocupa ou Alemanha em Polónia. Espero que Jaureguizar tenha em conta este matiz, nada irrelevante, e a sua intençom nom seja irromper, senom acudir. Partindo de aí, e assumindo o que assumim umhas linhas mais arriba, as cousas podem ficar como estavam antes deste descubrimento. Senom… Mágoa! Alberte tinha razom, este assunto cheirava a sangue desde o princípio e eu tinha problemas de olfato.
Esperando um happy end o 29, guardo o esquema desta história para umha trama que o mereza de verdade (o culpável que ignora a sua culpabilidade… nom é genial?). Asalta-nos umha última pergunta nesta espera:
O que pensará Alonso Montero de todo esto?
Ângelo Pineda.

3 Comments:

Blogger tangaranho said...

Pareceria-lhe divertido e lamberia-se de prazer, porque olha que chupou linhas nesta polémica sem merecê-lo.

8:15 AM  
Blogger Sabela said...

Eres un chico muy malo, Ângelo!!


Isto é umha história de crianças, digna de quando tens 8 anos mas nom sendo homens como mundos. A ver se tanto umha parte como a outra se relaxa, e os lacaios deixam de vitorear.

3:23 PM  
Anonymous Anónimo said...

Pois sabedes o quê?
Que tedes razom ambos.
Assim que para mim morre o conto... ala!
Um abraço.
Ângelo Pineda.

6:11 PM  

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