Domingo, Janeiro 30, 2005

Poderias chamar-te.

Poderias chamar-te nada
quando cumpre algo,
quando os mares se convirtem em lama
quando a calamidade nos leva
a arrincar as algas do crânio.
As tuas palavras poderiam ser
sombra do vivo,
poderiam acompanhar-nos quando,
como chicharos dum pote aberto
que alguém deita dum sopapo,
nos espargiamos na rua
ocupando cada canto
nesta cidade de zombis.
Mas nom, nom podias,
taparom-che a boca
coas razões que povoam
os lugares comuns do tolerável.
Lembras como maieou Dezembro?
Assim dezembrou Maio!
Agora renegarás dos teus,
agora renunciarás na espera
dum cataclismo
ou deus benévolo.
Mas existe sempre um outro nom
ferro
rocha
chabouca.
Existe sempre um outro nom
Navalha
que atravessa a brêtema
de ministro e papeletas
como umha quilha que corta
a marulhada adversa.
Mas é doloroso acordar
onde todos dormem.
Hoje choveram-te os olhos
por algo que nom figemos.
Poderias chamar-te silêncio
quando cumpre falar.

Ângelo Pineda.

1 Comments:

Blogger Sabela said...

É muito formoso este poema que recitaste onte. Obrigada por colá-lo cá ;)

5:39 PM  

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