A porta vizinha.
Tenho saudade do amanhã que perdimos nalgum canto. Tenho saudade do eu que saiu na procura dum nós, e já é tarde, e a sopa enfria. Tenho saudade porque desde que vivemos a obscuras, caminhas acariciando as paredes. Porque carregas com a história de cumprires os conselhos tatuados. Sigue louvando o sábio, embora nos arrastrara ao abismo. Sigue descendo face o próprio povo, até afogares no alheio. Cercam os parques onde jantas, decretos, grelos, sombras com cara de assédio. As desventagens da realidade som muitas, mas ganhares no seu jogo é umha vitória que nom conhece minúsculas, que nom dá topado um crânio que a imagine nem o vento dumha voz que a agite.
Vitória Galego
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