Terça-feira, Maio 03, 2005

#2

Tudo se encadeia nas nossas sociedades, é impossível uma reforma parcial sem quebrar o conjunto. No dia em que se ferir a propriedade privada numa das suas formas, reconhecer-se-á a necessidade de a atacar em todas as outras. Impô-lo-á o próprio sucesso da Revolução (...). O que receamos é que a expropriação se faça numa escala demasiado pequena para ser perdurável, que o arrojo revolucionário fique a meio caminho, esgotado em meias-medidas que não contentem pessoa alguma e que produzindo uma reviravolta formidável na sociedade e uma paralisação nas suas funções, não se tornem viáveis, semeando o descontentamento geral e originando fatalmente o triunfo da reacção.
Kropotkin


stalingrado

gás para todos
até que a veia poida madrugar
no clamor do abismo latejante
fervença de mil e umha raizinhas
que tentam apreijar a salgada transparência
que se está a fazer pedra letra morta osso liquidificado

na defesa da traqueotomia internacionalista
desarquipela-me a gorja

o silêncio é o oráculo que sustém a placenta do salouco
diálogo da desolaçom

abertos desde a boca até o ano
nem a chaminé podia conter
o imperativo categórico do cadáver

quem nom lavou as maos com a nossa sede?

em filiformes farangulhas deixa-me ascender
pola faminta carícia do arame de espinho
contra a duríssima cúpula celeste
contra todos os contras
contra todos os sentidos
ascender
cántico da desembocadura

mentres a terra siga fervendo
sepulta a bágoa
até
a
vitória
sem
pre


Marcos Abalde.