Domingo, Janeiro 30, 2005

Agora ou nunca.


Agora ou nunca, de Elvira Riveiro (incluido no seu Inventario indócil). Posted by Hello

Poderias chamar-te.

Poderias chamar-te nada
quando cumpre algo,
quando os mares se convirtem em lama
quando a calamidade nos leva
a arrincar as algas do crânio.
As tuas palavras poderiam ser
sombra do vivo,
poderiam acompanhar-nos quando,
como chicharos dum pote aberto
que alguém deita dum sopapo,
nos espargiamos na rua
ocupando cada canto
nesta cidade de zombis.
Mas nom, nom podias,
taparom-che a boca
coas razões que povoam
os lugares comuns do tolerável.
Lembras como maieou Dezembro?
Assim dezembrou Maio!
Agora renegarás dos teus,
agora renunciarás na espera
dum cataclismo
ou deus benévolo.
Mas existe sempre um outro nom
ferro
rocha
chabouca.
Existe sempre um outro nom
Navalha
que atravessa a brêtema
de ministro e papeletas
como umha quilha que corta
a marulhada adversa.
Mas é doloroso acordar
onde todos dormem.
Hoje choveram-te os olhos
por algo que nom figemos.
Poderias chamar-te silêncio
quando cumpre falar.

Ângelo Pineda.

Sexta-feira, Janeiro 28, 2005


Poema de Joan Brossa. Posted by Hello

Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

Dous anos de Repichoca na Crunha.

A quinta-feira 27 de Janeiro celebra-se um acontecimento especial que nos enche de alegria. @s amig@s do café-bar A Repichoca comemoram o segundo aniversário do seu nascimento lá polo ano 2003. Às portas do bairro herculino de Monte Alto, A Repichoca oferceu-nos umha sarta de actos durante todo este tempo: palestras, concertos de música tradicional, de folc, de cançom de autor, conta-contos, teatro, exposiçons de lenços, de fotografia, de artesania... Tem celebrado o Dia das Letras Galegas frente à indiferença institucional, o 25 de Abril (a Revoluçom dos Cravos) e festividades próprias da nossa cultura como o samaim que, por desgraça, vam caindo no esquecimento. Além disso, o seu balcom é um estante de artesania, de publicaçons locais e doutras iniciativas que vem neste local um excelente espaço para a sua mostra pública. Todo o anterior convertiu A Repichoca num referente cultural obrigado na zona, além dum sítio ajeitado para passar bons momentos de lazer.
Lembramos com um carinho importante a inclussom nos actos do Dia das Letras Galegas (2004) da primeira apresentaçom pública do livro "Rebelión no inverno", de Mário Regueira. Amostrarom-nos umha gentileza admirável pola que ficamos enormemente obrigad@s. Por isso saudamos os seus dous anos de existência e lhes desejamos muitos mais aniversários cheios daquilo que os fai especiais.
O programa para o dia 27 é o seguinte:
- Sorteio: camisolas, crachas, botelhas de licor-café... e mais cousas.
- Comida mui especial...
- Às 22 horas: estreia mundial do grupo de música tradicional "Tarara Trio".
Tudo no ambiente festivo que require o acontecimento.
Café-bar A Repichoca. Rua Beiramar nº 13, A Corunha (GZ).

O radicalista mascarado.

Based on a true history
Titularia esta história como “Um assunto tenebroso” mas, por desgraça, Blazac se me adiantou um século e pico. Porém o assunto nom deixa de ser tenebroso por isso. Até um dos participantes na trama, o poeta Alberte Momán, dixo umha frase que augura um final ao jeito dos dramas shakespearianos: “A verdade é que temos umha facilidade para cheirar o sangue a léguas”. Esperemos que nom seja para tanto…
Este é um país pequeno, conhecemo-nos todos e, já que logo, também é um lugar propício para encontros indesejáveis. Estes encontros poderiam resolver-se com facilidade. Mas o aborrecimento, o pouco trabalho ou umha má palavra na altura mais inoportuna podem exagerar as desavenças até límites insuspeitados. Umha pobre frase extirpada do seu lindo contexto, umha genreira que se rega e medra, um certo senso do justo-injusto/bom-mau… som ingredientes dum mistério que desvelo hoje. Por isso devo falar sobre este caso embora dixem que nom o volveria fazer.
Quando em Novembro do ano 2004 decidimos que já avondava de deixar projectos no obscuro caixom das lucubrações e que cumpria agir no campo da literatura cum umha proposta concreta e conjunta; pugemo-nos a trabalhar entusiasmados no Radicalismo. O manifesto nom estava acavado em Dezembro, mas sempre tivem o curioso capricho de andar dous ou três passos por diante do presente; cousa que gente com um senso mais firme da prudência ou da disciplina me fam notar entre divertidos e perturbados. Assim, nom puidem aguardar o manifesto e abrim o blog no que publico estas linhas. Era igual, senom tinhamos umha producçom consistente ainda com a que encher o espaço que este novo meio nos fornecia, poriamos referências, influências e outras expressões da clâssica agit-prop universal. Com o que nom contavamos era com acordar iras tam cedo. A posta do já famoso colante “Kill Fraga” provocou umha afirmaçom feia de Santiago Jaureguizar, que de que nos conheceria para falar assim, pensava eu. O pior nom foi isso. Abaixo, nos comentários, volvia a expressar-se em termos ainda mais feios e nos comparava com o para-filólogo Alonso Montero, pessoa sobre a que tenho umha opiniom pouco positiva por questões que nom vêm ao caso. Isto provocou umha reacçom inmediata no meu organismo: os meus dedos começarom a amachucar furiosamente o teclado do computador parindo um texto duro e pouco respeitoso com o nosso singular contraditor. Este texto actuou como um resorte para amig@s do radicalismo e para pessoas que pareciam aguardar que umha janela se abrisse e assim deitar as suas legítimas diferenças sobre Jaureguizar. Velhos ódios (nom digo que injustificados) prenderom na discussom que se iniciava. Acho que todo o mundo conhece o desenvolvimento desta história. Ângelo e Jaureguizar parecem achegar-se a um “pacto de nom-agressom” no entanto as discussões prosiguem entre o último, Ramiro Vidal e Alberte Momán. Decido nom continuar com o assunto seguindo os conselhos dos companheiros. É justo nesta altura que Jaureguizar insinua umha mão preta trás do recital do Tangaranho: a do Radicalismo. Sobra dizer que meter Cáccamo ou Alicia Fernández no radicalismo e como introduzir a obra de Rosalia no naturalismo, a de Castelao no futurismo ou a do próprio Jaureguizar no noveau roman. Este desagradável comentário impele-me a intervir de novo aclarando que o recital nada tem a ver com nós e que a nossa presença lá reduzia-se à minha própria (como um dos poetas do cartaz) e, talvez, à de alguém mais como público. Entom Jaureguizar sincerá-se: o motivo dos seus comentários nom é umha discrepância ao redor do nosso trabalho (ainda escasso, quase inexistente); o motivo verdadeiro é que “alguém” dentro do reduzido grupo radicalista, ofendeu-no acochado tras dum “pseudónimo covarde”. E o que é mais importante: muito antes do colante Kill Fraga. As suas palavras nom deixam de ser enigmáticas: “(…) eu sei quen é e el poida que se lembre se fai memoria (…)¿De onde pensas que tirei unha ligazón á páxina dos radicalistas? O único que lamento é ter amolado aos radicalistas que non tiñan que ver con iso. De hoxe en dez días irrumpirei no recital para informar das cuestións que me requires”. Depois destas revelações a surpresa foi geral. Os radicalistas olhamo-nos, encolhimos os ombros e nos perguntamos: de que caralho está a falar meu? Muito antes de Kill Fraga? Se muito antes nem existia o Radicalismo! Perguntamo-nos aliás se alguém tinha ofendido, nalgum momento da sua vida, o pobre Jaureguizar. Os ombros volverom-se a encolher. Quem seria esse misterioso radicalista mascarado trás dum pseudónimo covarde que insulta Jaureguizar e tem umha ligaçom para o nosso blog? Entre conhecidos e, como havia que matar o aborrecimento, quitamos três teorias possíveis:
- Que a pesar de ter insistido demasiadas vezes em que Ramiro nom é radicalista, Jaureguizar decidisse manter esse qualificativo e ajustar contas sobre um assunto passado que ignoramos.
- Que alguém que gosta do radicalismo tenha insultado Jaureguizar e este, por umha discutível regla de três, o tenha adscrito ao nosso grupo
- Que o caso Jaureguizar seja, finalmente, um caso clínico...
Das três teorias, a primeira e a última fôrom mesturadas e tomadas como certas por algumhas pessoas. Porém eu resistia-me a umha soluçom tam simples. Tem que haver algo de verdade na afirmaçom de Jaureguizar, nom se vam dizendo cousas por aí tam alegremente. Assim que me metim no papel de detective, pronto para resolver o crime. Sem embargo, asinha decatei-me de que todo esforço era inútil. Nom havia ninguém que tivesse umha ligaçom da nossa página, que puidesse passar por radicalista e que se metesse com Jaureguizar. O começo da polémica estava aí, no colante Kill Fraga. Assim que abandonei a minha empresa e comecei a curiosear velhas notícias de Agal quando, de súpeto, apareceu a soluçom: havia um anuncio dumha palestra que ia ofercer Jaureguizar em Bruxelas (se nom lembro mal) e que tratava de literatura galega e portuguesa (“as siamesas separadas” seica). Lá, nos comentários, aparecia um tal peromaruga que recomendava um velho artigo de Santiago em A Nosa Terra para a excelente secçom de Statu quo, onde se penduram lindezas teóricas sobre o nosso maltratado vernáculo. Criticava o proselitismo de certos reintegracionistas que chegavam a incluir no club algumhas personagens conhecidas da literatura quando estas figerom poucos meritos para tal consideraçom (sic.). O mais ofensivo que se dizia lá sobre Jaureguizar é que se lhe chega a chamar “tipinho”, connotações negativas que emergem do texto e nom da própria qualificaçom. Além disso, peromaruga di nom acreditar neste “tipo de personagens”. Várias notícias mais adiante, o mesmo peromaruga anuncia o nascimento do nosso blog. Tudo encaixa à perfeiçom. É natural que Jaureguizar pense que é um radicalista. É, de facto. Mas duvido que Jaureguizar saiba exactamente quem é. O radicalista mascarado emprestava atençom à polémica e nom se decatava de que ele era o culpável. Ignorante do seu delicto, veu como o alvo se pousava no pobre Ramiro, quem nada tinha a ver com o assunto. Até que se decatou e entom sentiu a necessidade de falar, a pesar de que os seus companheiros lhe recomendarom que nom o figesse, que ignorasse a questom. A questom complicava-se e requeria a sua intervençom porque suspeitava que a resposabilidade sobre o que dixo recairia sobre outro e isso nom era justo.
Pois bem, desvela-se o mistério (por favor, ponham música de climax cinematográfico).
Peromaruga quita-se a mascara e aparece o rosto abraiado e mal-barbeado de… Ângelo Pineda! Nom o esperavam, heim? Normal, nem eu próprio o aguardava. Nom me lembrava do assunto, esquecim-no porque nom me parecia importante. Mas parece que ferim o coraçoncinho de Jaureguizar com aqueles comentários que estavam dirigidos aos reintegracionistas mais do que a ele próprio. E, nom obstante, a ideia que expressei parece-me muito razonável. Um grupo ou colectivo deve integrar gente conscienciada; quer dizer, deve conscienciar e depois integrar porque senom integra as contradicções que o prórprio indivíduo tem a priori com o colectivo. E isso convirte as assembleias num bonito cenário de crime e destruiçom. Ainda que quiçás o comentário sobre. Normalmente, chega-se a um colectivo por convencimento. No que respeita ao artigo, encantaria-me que Jaureguizar negar a sua existência e o atribuir a umha deformaçom da minha fantasia; porque se se dar o caso, buscarei-no por todos os arquivos do planeta e, em poucos dias, aparecerá no blog. Em quanto ao de “tipinho” e ao de que eu nom acredito em “personagens como esta” (intelectuais e escritores) reconheço que som palavras feias e que nom vinham a muito. Quiçás o puidem dizer doutro jeito mais educado e me desculpo (errare humanum est, ou algo assim). Sobre o de “covarde” por acochar-me tras dum pseudónimo… Enfim, sinto decepcionar Jaureguizar, mas ele nom é tam importante. O de peromaruga (o famoso conde de Souto Maior) é um nick que pugem ao fazer conta de usuário em Agal, muito antes de que a sua notícia aparecesse. Nom necessito pôr máscaras para falar de Jaureguizar. Agora estou-no a fazer sem elas.
A trama de esta história deu giro inesperado. Umha bala de palha cruza a rua de São José arrastrada polo vento e se escuita música de far west. Afectará isto à conversa cordial que se nos propunha? Nom sei com certeza, porque a um recital se vai, se acode, se entra. Irromper, irrompem os bárbaros na Roma, a polícia numha ocupa ou Alemanha em Polónia. Espero que Jaureguizar tenha em conta este matiz, nada irrelevante, e a sua intençom nom seja irromper, senom acudir. Partindo de aí, e assumindo o que assumim umhas linhas mais arriba, as cousas podem ficar como estavam antes deste descubrimento. Senom… Mágoa! Alberte tinha razom, este assunto cheirava a sangue desde o princípio e eu tinha problemas de olfato.
Esperando um happy end o 29, guardo o esquema desta história para umha trama que o mereza de verdade (o culpável que ignora a sua culpabilidade… nom é genial?). Asalta-nos umha última pergunta nesta espera:
O que pensará Alonso Montero de todo esto?
Ângelo Pineda.

Terça-feira, Janeiro 25, 2005

Recital do Tangaranho.

Desde havia algum tempo, esperavamos a confirmaçom definitiva. Por sorte chegou a começos deste mês e tivemos o imperdonável despiste de nom publicá-lo antes... Bom, por umha banda, melhor; assim a impressom na memória da gente que nos visite será mais recente e a sua lembrança mais fácil. O Tangaranho Vermelho organiza um recital literário este sábado 29 de Janeiro no "CS Atreu!", na cidade de Corunha. Lá reunirám-se 10 poetas para brindar umha pequena mostra do seu trabalho. Vozes poéticas díspares que confluem numha iniciativa que saudamos e pola que cumprimentamos ao seu promotor, Ramiro Vidal.
O cartaz conta com os seguintes nomes:
Alicia Fernández
Cruz Martínez
Celso Álvarez-Cáccamo
Xavier Vásquez Freire
Ângelo Pineda
Miguel Vento
Diego Villar
Luís Viñas
Alberte Momán
Ramiro Vidal
Esta cita com a poesia está programada para as 20h no centro social sito na rua São José. Nom se perdam este contato directo com a literatura, esta linda festa da palavra.

Sábado, Janeiro 22, 2005


A solidariedade de nom há muito. Posted by Hello

Poesias estáticas

Gottfried Benn foi poeta, narrador e ensaista com notável influência na literatura alemana de pós-guerra. Tivo especial importância na poesia política dos anos 60-70. No início, veu o nazismo como umha filosofia que ultrapassava a difícil situaçom de Alemanha, mas assinha se decatou de que ia o conto e o rejeitou, com as suas perseguições conseguintes. (1886-1956).
Poesias estáticas.
A estranheza do seu desenvolvimento
é a profundidade do sábio.
Filhos e netos
nom lhe inquietam,
nom penetram nele.
defender correntes,
obrar,
chegar e sair,
é o signo dum mundo
que nom vê claro.
Diante da minha janela,
di o sábio,
há um vale.
Juntam-se nele as sombras,
dous olmos adereçam o caminho-
tu sabes -cara a onde-.
Perspectivismo
é outra palavra para o seu estatismo:
traçar linhas,
continuá-las
segundo a lei do brinco
rociar brincos,
também tirar
enxames, cornelhas
no vermelho invernal do prematuro extasiamento
depois, deixar-se cair-
tu sabes- para quem.

Quinta-feira, Janeiro 20, 2005

Triloxia (I)

Penso gardar as notas e axitalas,
xogar ao azar dos tambores
e encirrar as guitarras para que canten,
no escuro que alumea a túa casa
as cantigas de embalar os soños do pobo
Deixarei un outro eu de min,
o que non sobreviva e sexa neno perdido,
sempre con sono, a falar de feridas absurdas,
irmán da tua tristura e xémeo
do brillo dos ollos insomnes.
Levarache notas na palma da man
coma grans que lle permitan
morar na sombra da cor da morte.
Falalle do cravo e das apertas
que nom che din aquel día,
de como escintilaban as bandeiras
do terríbel medo de ser outros.
Penso gardar notas e axitalas,
entoar cantigas que nos dean a vida
salavar algo que toque o reto dun sorriso.
Un outro eu renunciou á luz
para vivir contigo na espera,
e facerse lugar na vixília que coida de nós.
Cando chegue o dia destrozaredes ídolos,
e os sorrisos serán espellos onde atoparse,
cando chegue o dia durmiredes entre as follas,
e todos xuntos xogaremos as notas da revolta
como dados gañadores rompendo unha mala racha.

Mario Regueira
(Este poema foi publicado no número 54 de A Micro pechado, Barcelona).

Banksy.


Obra interior de Banksy. Posted by Hello

Por que em Galiza?

Hoje traemos umha curiosidade extra-literária: quando no 27 de Maio de 1988 o Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive voou o chalé de Fraga e os G.R.A.P.O matarom o empresário Claudio Sanmartín, a opiniom pública espanhola agitou-se. Os jornais mesturarom ambas as duas acções para brindar confusom sobre a autoria de cada umha delas. Além do "problema basco" e do "problema catalão", Espanha parecia ter umha outra frente que nom esperavam. Os mitos que fôrom guardando sobre o carácter pacífico d@s galeg@s vinham-se abaixo. Porém houvo pessoas, dentro do próprio espanholismo, que tiverom (durante bastante pouco tempo) umha certa má consciência polo trato colonial que o estado espanhol brindava (e brinda) a Galiza. A jornalista Pilar Urbano, achegada ao Opus Dei, biografa da rainha, de Baltasar Garzón e doutras personagens sinistras; exprimiu no artigo que reproduziremos a seguir, ainda com certas incorrecções históricas e desde a sua particular visom nacionalista (espanhola), umha certa compreensom do fenómeno da violência política em Galiza. O motivo desta publicaçom é amostrar umha esquisitice, mas também lembrar, num ano eleitoral, que o periodo descrito por Pilar Urbano se corresponde com o governo tripartito da Xunta (Psoe-CG-PNG): umha aliança de "socialistas" com "regionalistas" que parece reeditar-se nas vésperas de cada comício. Tam necessário como acavar com Fraga, é apostar por algo que pague a pena.
" ¿Por que en Galicia?
Creo que no me equivoco si digo que el viernes, hace cuatro dias, si, aunque parezca que ha pasado un mes, a todos de repente nos dolió Galicia. El asesinato en Santiago del empresario Claudio Sanmartín, y la destrucción de la casa de Fraga en Perbes, dos luctuosos sucesos terroristas en la muy apacible y muy paciente y muy padecedora Galicia, nos zarandearon la conciencia. Esa conciencia social donde está escrito el mandamiento de lo solidario… Y es que, reconozcámoslo, de Galicia no nos acordamos ni cuando llueve; tierra verdemente triste, nubladamente nostálgica, recogida sobre sí en su cuarterón cantabroatlántico, que ni nos pide pan ni nos da guerra… Y, acaso por eso mismo, la tenemos olvidada.
La alarma tóxica de los bidones del “Casson” no mereció siquiera la visita del ministro Abel Caballero.
Pero el viernes, al reclamo de las tragedias, tuvimos que mirar hacia allá arriba. Consternados, sorprendidos. Y ¿Por qué no decirlo? preocupados. Ese “Exército Guerrilleiro do Pobo Galego Ceibe” (sic.) que irrumpe en la escena de la actualidad asesinando a quemarropa, volando un inmueble con dieciocho kilos de explosivo, y organizando en precario pero con las mismas trazas de ETA y de Terra Lliure, no es un producto criminal improvisado. En su errático historial, desde el 75 hasta hoy (sic.), no había otro palmarés de acciones que unas cuantas voladuras sin notoriedad. Y, repentinamente, estos dos golpes tremendos. Dos preguntas hijas del estupor nos cruzaron la mente: ¿Quiénes son? ¿Por qué hacen eso? Y una tercera, más doliente, más oscuramente sobrecogida: ¿Por qué en Galicia?
Galicia ¿quién lo ignora?, para ganarse el pan hubo de cruzar la ancha calle oceánica, inventándose el exilio aventurero de la emigración. Galicia ¿quién lo ignora? Padeció sin quejarse el caciquismo de los mandamases logreros; y en cada gallego ha habido, desde siempre, una “lealtad de alquiler… a quien mejor la pague” y otra lealtad, profunda, secreta, intimísima y jamás pronunciada, sin precio y sin dueño. De ahí la “Galicia impredecible”, la que “si sabe, pero no contesta” cuando llegan los encuestadores de Sigma Dos, de Gallup, de Emopública, de Demoscopia… o del CIS. Galicia ¿quién lo ignora? Ha malvivido secularmente con las migajas sobrantes de la mesa de la España satisfecha. Galicia ¿quién lo ignora? Sigue siendo hoy la maltratada en la reconversión, la desmantelada en sus industrias de astilleros, la malparada en fondos Feder y en subvenciones agropecuarias… Galicia ¿quién lo ignora? Por no tener, no tiene ni la “legítima” de toda ciudadanía democrática: unos gobernantes surgidos de las hurnas. No. De los oscuros pasillos de la conjura y del trapicheo le dieron un gobierno amañado y no elegido…
La explicación policial sobre esos criminales “guerrilleiros” (sic.) no puede ser más inquietante: “Son jovenes, estudiantes y obreros de zonas industriales desmanteladas y en crisis, gente sin horizonte de empleo, radicalizados en su descontento…”. Es decir, no son nacionalistas. No reivindican una patria. Vindican su indigencia y su hambre. O, cuando menos, ese es el origen. Y aquí hay que clavar el rejón de la denuncia, sin contemplaciones, en la diana de los responsables. Matizo: culpables son esos “guerrilleiros” (sic.); responsables , quienes no han hecho nada, absolutamente nada, por despejarles un futuro visible. El gobierno nacional (sic.) que no da. Y la Xunta da Galiza (sic.) que no pide. Una Xunta que es como un “obradoiro” (sic.) de negocios entre parientes, vecinos, amigos y clientes; y un banco empleador de yernos, hijas, cuñados y concuñados. Una Xunta cuyo presidente, González Laxe, con un sueldo de 8.155.186 pesetas, está mejor retribuido que el propio Alfonso Guerra; y donde los “conselleiros” (sic.) con 6.715.613 pesetas anuales, son los más pagados de toda España. Una Xunta que puede explicarnos, ¿por qué dispone de 10.989 funcionarios? Y la mitad de ellos, 5.142, son interinos, contratados y eventuales. Una Xunta que tiene a su servicio directo a 972 personas (…?), mientras el conselleiro de industria sólo cuenta con cuatro.
Tengo sobre mi mesa un abultado “dossier” de quisicosas (sic.) de esa Xunta, que reclama luz. Y porque pienso que es preferible el escándalo a la sangre voy a seguir hablando de esa Galicia que goza, a costa de esa otra Galicia que sufre.

Pilar Urbano. Diario de Jerez. 31-5-88. "

Segunda-feira, Janeiro 17, 2005

Nigger soul.

Temos a sorte de ter entre @s amig@s que amostrarom interesse polo projecto radicalista, num lugar muito destacado, Ramiro Vidal; quem desde o começo nos fijo chegar as suas observações e comentários. Hoje, ficamos tam obrigados que queremos ter um detalhe com ele e reproduzir um relato que apareceu o 10 de Agosto de 2000 em La voz de Galicia. Algumha vez Ramiro nos dixo que nom era narrador. Este documento proba o contrário. Um abraço.
Nigger Soul
Eu topara-o umha manhá de primavera na ponte de Brooklin. O seu saxo tecia melodias que sabiam a Jamaica, a Cuba, a África… ele tratava de fixar a sua estrávica olhada em mim no entanto me relatava aqule delirante história , à calor dum charro. A sua visom evocava umha sorte de bardo afro-americano, era talmente um santom eremita que quigera ser poeta do povo. Impresionava aquele velho de voz agurdentosa, sujas rastas e longas barbas, tratando de envolver-me na visionária e gloriosa mitologia do seu povo: quando me queria desvelar o segredo do jazz, a essência do blues… quando me queria transportar à dimensom misteriosa onde habita o espítitu do calypso, do ska, do rocksteady ou quando me levava de maos colhidas voando às praias de Trinidad, a escuitar ferver os frutos do amor entre o sítar e o bidom. Aquele velho reagalara-me a sua amizade por uns minutos e um anaco da sua sabiduria para a toda a vida. Ensinou-me que os caminhos da música tenhem um percurso de ida espiritual e um percurso de volta disciplinar, mas que nós, cuitados brancos, temos que fazer esse percurso ao jeito inverso, porque nos falta o legado histórico, genético e emocional que configura essa carga espiritual. De nada serve a perfeiçom técnica: É que os teus antergos deixarom a vida apanhando algodom? Entom quem es tu para pretender violar os caminhos do jazz ou do blues? É que o teu avô era um preto de Puerto España que petava nos bidons diante dos soldados da Sua Graciosa Magestade? Entom nom digas que levas o calypso nas tuas veas!!! Assim de rotundo era o velho saxofonista rastafari. Eu agora estou num bar da minha cidade. (…) Penso que quiçás numha cousa sim que errou o meu amigo da ponte de Brooklin. Os sentimentos nom entendem de cor da pele. Os skinheads e os mods ingleses eram brancos uns, negros outros, e incluso paquistanís e indianos alguns. Os seus antergos nom apanhavam algodom , mas o sofrimento tem infinitas formas de deixar a sua impronta. Também eles conheciam o drama da emigraçom, o desarraigo e a exploraçom. O código genético da música jamaicana nom deveu ser muito difícil de descifrar para eles. O percurso espiritual dos seus caminhos foi, seguramente, caminhando em primeiro lugar e sem problema polos rapados admiradores de Lauren Aitken. Pago a minha consumiçom e vou a um local onde esta noite haverá um concerto de acid-jazz. Quero cheirar como se frige a alma do povo afro-americano envolta no lamento de melodiosas e profundas vozes negras, notar como as muxicas jazz-funky-soul saltam das cordas da guitarra para nadar nas ondas do baixo e como a bateria constrói rombos de vidro no éther que logo escacharám com um golpe de prato, tudo molhado com gotas de noite invernal da Galiza atlántica… e de madrugada passearei pola praia solitária , quiçá com a esperança de topar o espíritu do calypso, que terá descobrido que o vento mareiro das Rias Altas também o respira um povo que entende de sofrimento. Quiçá abandone por uns momentos a sua dimensom misteriosa e o tope bailando com as ondas do mar em meio do orvalho.

Curiosidade.


Linda imagem de equipo príncipaPosted by Hello

Domingo, Janeiro 16, 2005

Os tempos nom dam chegado...

(I)
OS TEMPOS NOM DAM CHEGADO…
… e se nos acava a paciência. Aborrecemos com essa propaganda megafónica profeta dum amanhã que nom vemos por ningures. O único que vemos no presente é esse império da mediocridade que coloniza todos os aspectos da vida social. Reconhecemo-nos pessimistas. Reconhecemos ter caido no nojo e no desacougo. Nom somos idiotas: a esperança fijo-se para esperarmos indefinidamente entrementes apodrece a realidade. E a realidade apodrece. Desde a trampa constitucional e estatutária, os jovens galegos temos que carregar com a descomposiçom moral das nossas gerações precedentes e com a demissom da sua responsabilidade histórica. O seu pão ressesso de ontem, nós jantamo-lo hoje. As oportunidades perdidas, as agressões foráneas e o consentimento autóctone, têm-nos levado a umha época chumbiça na que há excassas saidas. Só nos resta a emigraçom, o retraimento, o suicídio, a arte ou a acçom extremista . Como nom gostamos de dramatismos, escolhemos umha difícil combinaçom das duas últimas e anunciamos, quam apóstolos do nom, umha nova bomba na resistência aborigem. Umha bomba que estoupará no seio de toda cultura herdada, de cujas ruinas apanharemos os pedaços que servirem para acordarmos Galiza do seu coma cerebral. Cumpre agir assinha nas artes, na literatura; campo onde o ar castiço se fai irrespirável.
Os jornais, os grandes editores, as deputações, a autonomia ou qualquer outro tentáculo da espanha etnocida desterrará-nos, com certeza, das páginas douradas da literatura indígena; no entanto seguirá cevando a essas plumas de aluguer que elimininarom das suas páginas todas as tragédias cotidianas do nosso Povo. Figerom literariamente de Galiza umha arcádia estúpida, boba e pusilânime que acarícia as orelhas sujas dos seus mecenas…
mas chegamos
os radicalistas
e florece na literatura a dignidade do nosso desgraçado vernáculo, o drama existencial da classe trabalhadora, a irreverência face os reverenciados, o sabor amargo do fatalismo, a sã obscenidade juvenil e a força da ira que nos enche.
A nossa obra constuitui um protesto contra o colonialismo espanhol e contra a literatura supostamente “nossa” que o veleno cultural carpetovetónico engendrou. O Radicalismo tem o firme propósito de barrer essa literatura enferma feita por bufões da corte. Dizemos às claras que o nosso objectivo é afastar às cotoveladas os grandes literatos do país que, com os seus cus de bronze, impedem o passo a umha nova literatura nacional.
- Dizemos Radicalismo, e as nossas palavras se erguem por cima da história e abraçam a independência sonhada.
- Dizemos Radicalismo, e vemos o compromiso e a beleza marchando juntos como duas colunas partisanas que se topam na chaira nevada das nossas páginas.
- Dizemos Radicalismo, e a nossa literatura apanha a derradeira bandeira da redençom galeguista.
- Dizemos Radicalismo e vemos já como se arruga o rosto do “progre”, como se afasta devagarinho, logo rapidamente, cara algum prédio oficial ou cara algum periódico e jura, de joelhos e com lágrimas nos olhinhos, que ele nada tem a ver com isso… Naturalmente! Ele é membro dumha espécie em extinçom. Nós somos um pedaço do amanhã deste Povo




(e II)
Somos radicalistas porque acreditamos que nas leiras dos peitos de cada pessoa deste povo há um assassinado que só aguarda um sinal para erguer-se em rebeliom.

Somos o suficientemente inteligentes como para saber que os mortos nom se erguem tocando badaladas de ira. Odiamos o panfletarismo, esse artefacto pseudo-revolucionário que se consume na última página e deixa os pobres leitores mergulhados num paternalismo nojento e imperialista. Odiamo-lo na sua singeleza insultante, no seu pobre ritmo, no seu limitado campo temático. Os mortos nom resucitam ao toque dos tambores de guerra, todo o mais remexem-se, dam umha volta no cadaleito, e petam com os punhos sem se crerem capazes de rachar as táboas. Os mortos erguem-se quando vem o milagre dum morto em pé. Nós caminhamos.

Consideramos que as estructuras literárias estám submetidas às estructuras políticas. Nom se libertarám as primeiras sem libertar primeiro as segundas. A asépsia ou a socarroneria arrogante com a que se vem tratando o problema nacional galego na narrativa actual lembra a actitude do passageiro que ri vendo a via de água que se acava de abrir no casco do buque.

Sabemo-nos independentistas, sem fanatismos, mas também sem o menor atisbo de medo. Nom intentaremos convencer ninguém, o nosso compromiso é político mas também estético. Daremos conta do que pensamos, daremos razom da nossa realidade, mas sem rebaixar-nos à categoria de panfleto.

Pretendemos usar a cultura como principal arma contra a sua desapariçom e/ou domesticaçom. Queremos umha literatura livre e a isso encomendamos a nossa bagagem, os nossos profundos conhecimentos literários. Nom entendemos só como literatura o que nos vendem nas livrarias. Reclamamos umha escrita em contubérnio com as outras artes. Nas nossas referências pintura, escultura, música, fotografia, cinema e literatura mesturam-se criando panteões apócrifos. Sabemos em que linha Kafka estende a mão a Bob Marley e este sorrí a Heriberto Bens, que nom deixa de olhar as linhas de Nancy Spero na parede. Sabemos que poema de Sarrionandia fala dessa mesma parede.

Prometemos explorar o morbo da relaçom amor/ódio entre a literatura e a imagem.
Muitos de nós escreveremos os filmes que a falta de médios nos impedirá rodar.
Lá onde a maioria do folc galego nos falhou vive o radicalismo doutras culturas. Reclamamos as músicas de resistência doutros povos, colectivos e minorias para fazer o nosso neotrobadorismo. Assumimos especialmente o reggae, o ska, o blues, o hip-hop, o punk e, nomeadamente, toda criaçom da modernidade lusófona que a nós se nos negou.
Somos proclives a fagocitar elementos da cultura pop e devolvé-los radicalizados.
Também somos proclives a recuperar elementos fagocitados polo comercialismo para radicalizá-los de novo.
Gostamos do graffitti.

Manifestamos insolentemente o nosso diálogo múltiple, a nossa diversidade e personalidade no meio do fragor da resistência globalizada.

Frente os fermosos contos do novo gerracivilismo conciliador ou resignado, opomos os relatos da nossa realidade, as batalhas caladas que levam a nossa mocidade à precariedade laboral ou ao exílio, a repressom e tortura subliminal que se impom às mulheres e minorias sexuais, a noite é névoa que se nos abre a modo de futuro diante dos olhos, os paradisos e infernos artificiais que empregamos como armas de duplo fio…
O repto nom é narrar o sonido dos tiros seguindo com os dedos os furados na parede, o repto é narrar o sonido deste silêncio ensurdecedor.

http://www.radicalismo-gz.blogspot.com

Sábado, Janeiro 15, 2005

Cultura e derrube.

Recentemente recevemos a boa notícia de que saiu à rua umha nova publicaçom: Cadernos de cultura e derrube. De graça, e com formato de fanzine punk; os Cadernos já se distribuem por locais do País. Com certeza, os escritos irregulares e, por vezes, contradictórios que contêm, nom deixarám indiferente a ninguém: como pequenos ensaios numha liguagem poética muito marcada (quase dadá), som vozes anônimas que reflexionam sobre diversos aspectos da cultura e da realidade. O conformismo, a anarquia, a antropologia, a literatura a violência ou Tristan Tzara aparecem no seu primeiro número junto dum curioso texto de Wenceslao Fernández Flórez no que amostra a sua simpatia polo regimem de Franco…
De essas vozes anônimas, destacariamos umha. O seu nome? Desconhecemo-lo, mas anticipa alguns dos aspectos do manifesto radicalista “Os tempos nom dam chegado…” que, se tudo corre bem, sairá finalmente amanhã. Sem mais, desfrutem desta singular lectura que nos sirve de anticipo:
No Almer Park de Brooklyn o frío cortáballe a faciana a Castelao:
A terra está asoballada. Quen a desasoballará? O desasoballador que a desasoballe, bon desasoballador será.
Algún dia verémolo pola ETB e os gaiteiros de Barakaldo morrerán de éxtase. Nova Iorque, esa copia mala e esaxerada de Rianxo, con catro columnas de lama a sustentar o ceu. Hoxe son piras funerarias, tronos xémeos e viva Palestina libre.
Pero non escribimos para Castelao en Almer Park, coa faciana cortada da ventisca, soñándose irlandés (British go home!!!) e a lingua dolorida de repetir A terra está asoballada, quen a desasoballará… Non temos nada que dicirlle nen pensamos ceder nada do que el pretendía que cedésemos (sen consultarnos).
Non, non escribimos:
- Para Castelao en Almer Park (Brooklyn, NY).
- Para ti, que dis que Risco non era nazi.
- Para ti, que cres que Cela é literatura galega.
- Para ti, posibilista, pactista, neorrexionalista, respeitador nato do Estado de Dereito.
- Para ti, que insultas a intelixencia de todos os galegos dicindo que non entendes o portugués e que non es capaz de ler en reintegrado.
- Para ti, que cres que o futuro da literatura galega é escrever literatura infanto/juvenil, poesia pseudo-erótica e romances plagiários.
- Para ti, que vas de anarquista e nom cres nas naçons porque nunca leche Bakunine.
- Para ti, que até para ir contra o sistema precisas de um guieiro da metrópole.
- Para ti, que nom cres que a Igreja seja o pior mal da nossa cultura.
- Para ti, que cres que o sexo é um ferrado fechado em vez de um monte vizinhal.
- Para ti, que tes medo de palavras longas como Independência.
- Para ti, que pensas que tudo, incluida a opressom, é relativo.
- Para ti, que olhas mas nom ves as mulheres.
- Para ti, que olhas mas nom ves mais além da heterossexualidade.
- Para ti, que já só sonhas com as revoltas do teu estômago.
- Para ti, que nom sabes que o imperialismo mata com balas mas também com silhons.
E agora, caro leitor, mon ensemble, mon frêre, cravo de cravos. Agora que nom fica ninguém entre as rochas e podemos premer o interruptor das fervenças para que nos assolague e faga umha imagem da força que nom temos, deixa-me falar-che de cómo nom somos nengum de nós. Deixa-me explicar o inexplicável, o teu posto de ferrugem num motor que nom funciona e que deita azeite a cada vibraçom do seu coraçom futurista. E pouco há de importar a fome que tenhas de mudança, a menos que tenhas uns óculos mágicos com os que olhar esta pequena juntança que nom tem medo e/ou umha forma para multiplicar pans, peixes e leitores. Ti, caro leitor, com quem me cruzo cada noite, depois de ir vomitar aos pés do Concelho, caro leitor com quem consumo drogas legais e ilegais que nos adormeçam ante a chuva de lume da realidade, anestésicos dos tempos novos. Deves saber que para o tempo intermédio da consciência há umha série de cousas interessantes a fazer:
Murmurar a necessidade de nom sair nunca com as maos na cabeça e de seguir entoando as cançons de redençom. Fechar o circo e cargar-nos a hóstias os domadores. Tocar o piano no ar até sentir como um revolver se nos solidifica nas maos. Disparar o revolver. Nom crer nunca que a nossa deve ser umha literatura normal ou normalizada. Crer sempre que o nosso povo deve ser um povo normal ou normalizado. Ter cuidado com os referentes dos conceitos normal ou normalizado. Odiar o establecido. Ter muito orgulho de Almer Park (Brooklyn, NY). Nom ter tanto orgulho de Castelao. Ensinar o muro a comprender a cabeça. Abandoar a enumeraçom como recurso. Aprender cançons alegres e profundas para musitar nos piores momentos. Pintar-lhe, ao vento, umha cara de peixe. Ensinar-lhe a nadar. Deixar de aguardar pola morte e começar a aguardar pola vida. Derrubar as aristocracias à soviética. Fazer do sorriso umha guerrilha anti-fascista…
ATENÇOM!!! Só no caso de falhar todo isto: pensar no frio de Almer Park, (Brooklyn, NY), no triscar de folhas baixo os pés, no formoso/a apresentador/a da ETB. Ontem coma hoje.
"

Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

Hoxe teño coñecemento,
levo praias ondeando no ventre
estandarte de soidade simple, acotada,
fermosamente delimitada,
e a man mide a distancia
onde a multitude racha panos
por non saber erguer proclamas.
Berramos sociedade
e cravastes un lapis marelo
na vosa fronte
e na nosa, como afago,
e o grafito tornou o sangue negro
e o sangue negro
sempre é tráxicamente fermoso.
Levo praias medrando no ventre,
algún día cuspirei area,
e os lacrimais duros de salitre
como os pezóns das nais orfas
caerán e serei triste.
Corríamos de dor
e co lapis na fronte
berráchedes unicornios
e alguén apresurouse
queimou documentos,
proscribiu verbas da nosa lingua,
amañou insidioso as nosas plumas
e tivemos que aturar,
calados, ridículos como escolares cegos,
como os escravos que fomos
e pensamos que xa non.
Levo praias ondeando no ventre
cada un dos que ficou,
cada un dos que chegamos iñora,
sorrí lacónicamente
mide coa man a distancia coa multitude.

Mario Regueira.

Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Contestando Jaureguizar.

Como neófito nesto da literatura, tanto a nível pess0al como colectivo, ressentiria-me ao receber umha má crítica dalguém com um mínimo critério na matéria. É por isso que podemos ficar tranquilos com o comentário que realizou Jaureguizar no seu blog. É cousa dele. O que nom podo é deixar de amostrar satisfacçom por ser concretamente ele quem está disconforme com o Radicalismo. Na minha particular listagem de autores galegos a superar por todo o que fagamos os radicalistas está, no último posto, o nome de Santiago Jaureguizar. E ainda bem.
Para começar, o autor referido situa Antonio Mingote, Alfonso Ussía e o radicalismo num mesmo pacote a rejeitar... Há gente que nom sabe distinguir com nitidez entre alhos e bugalhos e, por isso mesmo, adoita mesturá-los com frequência.
Para seguir, remetemo-nos ao conceito de radicalismo que o Santiago Jaureguizar maneja na sua estreita forma de ver as cousas: ".Eu entendo o radicalismo como algo exepcional, exarcebado e inasumible por colectivos amplos. Debo de estar confundido". Estás, já que:
a) o radicalismo nom deve ser "exceipcional" (nom tem por quê).
b) no de exarcerbado, dás no alvo mas
c) nom tem que ser necessariamente inassumível (nom deveria).
Em realidade, para ilustraçom etimológica de Jaureguizar radicalismo é:
- sistema político dos partidários da reforma profunda na organizaçom social.
- de radical.
"Radical", à sua vez, significa:
- fundamental
- essencial
- partidário do radicalismo
- indivíduo defensor de reformas profundas e revoluções
- relativo "à raiz" (radicale, lat.)
Lá é onde queremos chegar. À raiz dos problemas literários mas, nomeadamente, à raiz dos problemas sociais do país; os que viram dramática a nossa existência individual e colectiva. E queremos chegar aí porque escritores como Jaureguizar & Co. teimam em enmascarar a realidade, em negá-la ou em tratá-la só superficialmente.
Ainda mais. Sugire-se que umha das imagens que penduramos no blog é tópica ("Kill Fraga") porque "todo o deus" (sic.) assume qualquer crítica ao presidente da Xunta... Mas de ser certo, estariamos na situaçom na que nos achamos? E, de o ser, assumiria Jaureguizar esse slogan contra Fraga com o seu "kill" respectivo? Duvido-o, a maioria da gentalha progre brinda umha crítica tam amável ao fraguismo que dam ganas de filiar-se a "Nuevas Generaciones". Nom o digo por escrever algo, ele próprio di que nom é radical. Mais lhe vale, nunca chegará a ser Suso de Toro ou Manolo Rivas doutro jeito. De momento começou bem: defendendo Zapatero.
Para acavar, referiremo-nos a um dos comentários que Jaureguizar partilha com os colegas da sua turma e com todo aquele que, por desgraçado accidente, se pousar no seu blog: << ¡Buf! Os versos son alonsomonterianos. ¿Coñeces ese que se chama Franco no que 'o profesor' se limita a repetir cabrón, cabrón, cabrón? Pois estes andan nesa estética>>. Estas linhas amostram nom só que Jaureguizar é incapaz citar Alonso Montero com exactitude senom que, além disso, demostra nom ter nem punheteira ideia de literatura; algo que já supeitavamos com a publicaçom de "Fridom Spik" aló polo ano 95. As nossas suspeitas virom-se confirmadas compridamente por todo esse catálogo de despropósitos que veu publicado depois. Parece-me genial, se Jaureguizar o passou bem. Mas o repertório de lugares comuns "rururbanos" que o autor de Bilbo insiste em vender como literatura, só pode satisfazer um público pouco exigente. Ou, na sua ausência, ao próprio fraguismo; que nom só é um producto material, senom um producto cultural: dessa cultura cativa, castrapizante e enferma que eleva à categoria de literato o Jaureguizar.
É curioso como certos apelidos quadram ao seu posuidor. Segundo tenho entendido, em basco, "jaureguizar" significa "palaciego", "cortesão". Trás da pose pop de Santiago, no fondo, acocha-se isso: um escritor cortesão; fidel à corte, aos seus critérios estéticos, ao seu nom-dizer-nada, ao seu mito alienante do "jovem", à sua normativa ortográfica e às excassas possibilidades que oferce o seu estreito sistema. Quando desde o radicalismo falamos da miséria literária galega, enfim, estamos dizendo: Jaureguizar, de te fabula narratur.

Ângelo Pineda.

Segunda-feira, Janeiro 10, 2005


Ataque lírico frontal Posted by Hello

Segunda-feira, Janeiro 03, 2005

Resumindo...

Pobre Galiza
Nom deves chamar-te
nunca espanhola...

... que espanha nom es.