Sexta-feira, Abril 29, 2005

#1

Derruindo, edificaremos.
Proudhon
A miséria foi a origem primária das riquezas .Foi ela que criou o primeiro capitalista, porque antes de acumular a "mais valia" em que tanto se gosta de falar, era preciso que houvesse miseráveis que consentissem em vender a sua força de trabalho para não morrerem de fome. É a miséria que tem feito os ricos.
Kropotkin

potável
nom era a claridade do laio pedra angular
deixa-me fugir pombas som os teus olhos
como escuro ar
como deserto sem fenda
como covas de leons
cara a mim cara a ti guinda-se o laio ainda sem percorrer
cara aqueles meus desconhecidos de peito fechado que fai emudecer
que jamais o haverám de saborear orfos
era a barca
quando o irmao siamês bebeu o leite amargo nom a cinza sussurrarom-me
algum dia teremos direito a respirar
fediam a desterro
sumidouro esqueleto berço imperial esnafrador de rostos
sem que os corvos traiam o longe que descende até as entranhas do soldado
como nom podias saber que debaixo da tua língua nom há oásis possível?
antes que os meus lábios acabem devorados polas trevas
fai que a fame me enterre
extirpa-me
deste oceano de sangue semeador de espelhos
luz sem esperança sem raiz
pulverizada
toleima

Marcos Abalde.

Quinta-feira, Abril 28, 2005

A porta vizinha.

Tenho saudade do amanhã que perdimos nalgum canto. Tenho saudade do eu que saiu na procura dum nós, e já é tarde, e a sopa enfria. Tenho saudade porque desde que vivemos a obscuras, caminhas acariciando as paredes. Porque carregas com a história de cumprires os conselhos tatuados. Sigue louvando o sábio, embora nos arrastrara ao abismo. Sigue descendo face o próprio povo, até afogares no alheio. Cercam os parques onde jantas, decretos, grelos, sombras com cara de assédio. As desventagens da realidade som muitas, mas ganhares no seu jogo é umha vitória que nom conhece minúsculas, que nom dá topado um crânio que a imagine nem o vento dumha voz que a agite.
Vitória Galego

Quinta-feira, Abril 21, 2005

Mais um poema de Mário.

E o trato foi un pacto fechado,
un calibrar de destellos,
dous mundos a se tocar sen ter
a consciencia de existir.
Respiracións tensas, tintineos máxicos,
para que eu teña hoxe na man
o obxecto do trato,
un instrumento de tortura
ou un canto á liberdade.
Estaba o noso nós no obxecto
a gravidade coa que o metropolitano
ollaba aos indios do Norte.
Estaba a tortura e o fechar dun puño
sobre as plumas até o sangue.

Terça-feira, Abril 19, 2005

Poema de Mário Regueira.

Lugar das mortas,
as mortas, a reixa,
a pedra xeométrica continua,
onde quen a aldraxou
aldraxou os séculos que non fosen
o silencio dos sartegos.
Lugar das mortas,
vellas que coñecín noutro tempo
e quixeran bicarme,
recoñecer a miña feitura de home,
e non se atrevendo ollan e pasean.
Lugar, xa non lugar, o aborrecimento,
o valor, grandes paixóns que
se arrastran coas nubes ao lugar
das mortas,
as mortas, noción, cousa que non
nomeo,
que agarda por min
por un rexurdir de cinza.

Sexta-feira, Abril 15, 2005

AS BONECAS ROTAS

Os vanguardistas, como o seu nome indica, fôrom por diante e deixarom-nos esse invento com o que passar os silêncios incômodos com os amigos: o cadáver delicado. Desta forma pretendiam diluir o eu criador, que tinha vícios tam deploráveis como tender a dar um sentido unívoco às obras de arte. Com o cadáver delicado o eu criador e o sentido unívoco iam para o caralhoe construia-se um novo sentido comunal, tecido entre todos a partir de pequenas informações tais como umhas linhas com as que seguir o desenho do companheiro, ou a última palavra dum verso. Os mais arriscados mesmo chegarom a fazê-lo renunciando a estas pistas e criavam obras fascinantes desde o ponto de vista artístico e sintáctico. A base do cadáver delicado estava, como se vê, no ocultamento total ou parcial da criaçom, na limitaçom da ideia de continuidade temporal, permitindoque entrassem em jogo a casualidade ou a intuiçompor riba da ideia prefixada.
Desde o radicalismo pretendemos fazer umha achega ao cadáver delicado desde presupostos contemporâneos. Para tal cousa demos em rebaptizá-lo como "boneca rota", por razões que bem aginha ficarám claras. Em primeiro lugar eliminaremos a necessidade de coerência material, que bem pensado é umha limitaçom absurda. Quer dizer, já nom continuaremos um desenho com linhas, nem iremos pondo um verso trás do outro, senom que às linhas seguiremos com versos e aos versos com fotografia, por exemplo. Nesta combinaçom de "artes" ou matérias nom haverá nengumha limitaçom por riba nem por baixo. Partiremos da mais simples entre duas matérias, até a mais multiforme e orgiástica, com multiplicidade de expressões. O único requisito é nom repetir a matéria do passo anterior.
Em segundo lugar nom tomaremos o ocultamento total ou parcial como instrumento. Entendemos que cada criaçom artística posui umha capacidade evocatica infinita que vem dependendo do receptor para concretar-se. As ligações entre umhas partes e outras nom se ham de basear, já que logo, numha parte amostrada ou na intuiçom, senom na evocaçom concreta que cada parte provoque no responsável de elaborar a parte seguinte. Desta forma essa cadeia evocativa acabará constituindo um novo objecto artístico, esta vez poliédrico. Recomendamos encarecidamente o máximo cuidado à hora de escolher a evocaçom pola que deixar-se levar. Nom seria inapropriado guiar-se por aquela evocaçom mais ligada ao subconsciente, se bem este tipo de ligaçom nom poderia ser exclussivo. O compromiso de todos os participantes na consecuçomdum resultado final original e de qualidade é vital, um elementoque já jogava no primitivo cadáver delicado, ainda que nom estivesse explicitado.
Aginha começarám a chegar a este blog as nossas primeiras bonecas rotas, género que recomendamos practicar como mais umha forma de reacçom artística contra a opressom.

Sábado, Abril 09, 2005

Começo.

Hoje a palavra surde para mim,
surde sendo palavra
recolhida do homem algemado
que mora dentro de cada homem.

Ângelo Pineda.

Segunda-feira, Abril 04, 2005

Mulher de azul.


Lenço de Tamara de Lempicka Posted by Hello

Sábado, Abril 02, 2005

Comunicado oficial.

Graças a o processo de democratizaçom interna e alargamento de capital (humano) que se veu desenvolvendo no seio do colectivo radicalista, estivemos muitos dias sem pendurar nada novo. O nosso desejo de abandonar o modelo nor-coreano em prol dumha gestom mais directa e aberta aos/as amig@s que frequentam o nosso blog, obrigarom-nos a guardar este silêncio. No Radicalismo trabalhamos por umha cultura galega moderna, de qualidade e comprometida. Desculpem as moléstias.